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Dentre bolas de sabão
Que de nossas serenatas vieram
Flores que ofertamos
E que nunca morrerão
Em vasos e jarros se bronzeiam
Os anjos de onde vem
Sua vida bem-vinda
Os livros não são sinceros
Quem tem deus como império
No mundo não está sozinho
Ouvindo sininhos

template pelo Chico

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Domingo, Janeiro 23, 2005
que vem o soluço e vai embora, quer chorar e não chora.
que quer derramar e não consegue - já passou...
mas não passou nada.
por que a vida de verdade é tão difícil?
posted by julie @ 00:23 -
Sábado, Janeiro 22, 2005
Poesia velha e boba de que eu muito gosto que fiz para o meu muito amado amigo Miguel, quando julie se metia a fazer poesia... Vai pelos encontros dos últimos dias, tão sempre breves, com menos palavras do que olhares, tão sempre intensos, com mais abraços do que palavras. Eu amo esse garoto um tanto especial.
Menino de amor e folia
Menino do brilho nos olhos
Será tristeza ou alegria?
Feito de amor e folia, ele canta.
Seu peito conhece os mistérios da vida
Como quem sabe, é pra ser vivida
Os olhos falam: ele sente
Os lábios calam, a gente entende
Que lá no seu canto o menino que é grande
No rosto, tamanho e no coração
Permanece criança, no jeito inocente que dança
Por este caminho sem direção
Este samba confuso e descompassado
Esta marchinha de muitos carnavais
De valores há tanto trocados
Cujo sentido não se sabe mais
Pudera o mundo aprender com o menino
Que leva sua música pela emoção
Que toca a seu jeito, com lá seus defeitos
Pra nunca esquecer que é humano, então
Ser feliz.
posted by julie @ 23:04 -
Quarta-feira, Janeiro 19, 2005
o que diz da nossa vida?
as relações que construímos? ou as coisas que edificamos?
talvez o conhecimento que acumulamos, as habilidades que desenvolvemos...?
será que aquilo que pesa o quanto valeu uma vida está mesmo nas coisas que ficam?
ou estaria nas coisas que não se repetem?
posted by julie @ 00:44 -
Domingo, Janeiro 16, 2005
se não vai
não desvia a minha estrela
não desloque a minha reta
você só me fez mudar
mas depois mudou de mim
você quer me biografar
mas não quer saber do fim
mas se vai
você pode ir na janela
pra se amorenar no sol
que não quer anoitecer
ao chegar no meu jardim
mostro as flores que falei
vai sem duvidar
mas se ainda faz sentido, vem
até se for bem no final
será mais lindo
como a canção que um dia fiz pra te brindar
- (Você Pode Ir Na Janela, música do Gram) - é que tá na cabeça...
posted by julie @ 01:17 -
Sábado, Janeiro 15, 2005
como podem de uma só noite me pôr com saudades?
posted by julie @ 23:36 -
Sexta-feira, Janeiro 14, 2005
O fogo é o que mais impressiona os passantes, primeiramente. Ainda mais quando as incríveis artimanhas da química e dos químicos permitem aos brincantes se exibir com fogo verde! V-e-r-d-e! Quando eu participei pela primeira vez daquele espetáculo do movimento, não como espectadora, mas como "artista", eu confesso que foi uma sensação das melhores. Não que fosse um espetáculo - porque não era, era treino - mas foi um espetáculo. Eu que de criança sempre admirei com os olhinhos molhados aqueles artistas coloridos que encantavam os objetos no ar ao fazê-los rodar e voar, enganando a gravidade, eu era agora uma deles e podia sentir no ar que respirava a beleza e a magia que nossos corpos constituíam aliados aos nossos brinquedos coloridos e voadores. E ao me dar conta disso um sorri um dos sorrisos mais sinceros entre os sorrisos tão-quase-sempre sinceros que costumo sorrir na minha vida, e aquele sorriso foi de todos nós. Que os sorrisos, ali, não eram meus ou dela ou deles. Os sorrisos, assim como o resto das sensações gostosas, eram sempre de todos nós juntos. Que força estranha que nos unia através daquelas claves e malabares que passavam de mão em mão voando pelo ar (eu que nem de antes os conhecia), que nos unia através da brincadeira, a quem ensinava e a quem aprendia, nós éramos um único ser aquela noite: nós éramos a alegria.

posted by julie @ 03:58 -
Terça-feira, Janeiro 11, 2005
- Presente? mas não é nem o meu aniversário...
- Cala a boca e aceita logo.
- Ih! e não é que é bonito?
muito obrigada pela cara nova, seu chico!
eu imagino o resto do trabalho que deu... =)
posted by julie @ 03:51 -
Segunda-feira, Janeiro 10, 2005
A conclusão do dia...
Eu só quero brincar e ser feliz, sabe? Já tô indo pintar o meu nariz, mas antes disso eu preciso dar um pulinho ali embaixo pra comprar um picolé de coco que tá fazendo um calor dos diabos. Não vale a pena ficar encasquetada, sabia? o dia está tão bonito, é uma ofensa não aproveitá-lo. Às vezes eu me espanto com a minha insistência em arranjar pobrema nas coisas mais bobas. Aiai, às vezes pode ser tão bom se sentir ridícula! Pra quem ler, um bom dia.
posted by julie @ 19:01 -
Quinta-feira, Janeiro 06, 2005
Um dia, voltando pra casa em meio àquela tediosa rotina que nos acostuma a existir no piloto automático, Luís Henrique resolveu cortar caminho por uma ruazinha mais arborizada para aliviar o pulmão e o espírito. O sol já lhe torrava os miolos há quase meia hora (acho importante dizer que é a camada de nojeira suspensa no ar da cidade que transforma o sol nesse vilão...). A tal ruazinha não era assim tão diferente da principal, a maior diferença Henrique sentiu foi nos ouvidos. Claro que ele mal podia esperar para chegar em casa, mas pelo menos a exaustão ainda não tinha vencido a sua mania de procurar as coisas bonitas. Não demorou até que Henrique batesse os olhos sobre uma florzinha miúda, tão linda, delicada - seus olhos tinham uma vocação para esbarrar em preciosidades no meio da multidão. Um botão apenas, tão pequeno, recolhido, no entanto todas as outras flores ao seu redor pareciam fazer-lhe reverência, tanto que ele se sentiu como que numa obrigação de fazer a sua. Não se assemelhava a nada que Henrique houvesse visto antes, ele que já vira tantas coisas belas: a flor era mais que bela, era pura. E por um momento o menino esqueceu a rua, esqueceu a fadiga, esqueceu tudo o que conhecera antes do minuto em que avistara a florzinha. E quis escrever-lhe poemas, pintar-lhe retratos, compôr-lhe músicas bonitas. Quis ensinar-lhe o mundo, quis protegê-la da imundice das ruas, quis protegê-la da imundice das pessoas. Da influência das pessoas. A influência negativa das pessoas imundas. E até das pessoas limpinhas, Henrique queria protegê-la das influências. Porque toda influência é uma coisa imoral e suja. Iriam sujar a florzinha. Que tão delicada e pequena, tão inocente, tinha em sua pureza a salvação do mundo. Aos olhos de Henrique, as influências iriam roubar a pureza de sua florzinha (que já por algum motivo sentia o direito de chamar de "sua"). E foi ali que o menino jurou visitá-la todos os dias, em todas as horas que pudesse, jurou dedicar todo o seu tempo livre a ela, jurou que não a abandonaria sozinha por um só segundo. Jurou protegê-la, jurou vigiá-la, prometeu não deixar que uma só pessoa lhe fizesse mal, que nenhuma pessoa roubasse-lhe a pureza. Prometeu não deixar que ninguém lhe impusesse influência, que ninguém se aproximasse demais. A única influência seria a dele e de mais ninguém. É claro que Henrique ainda precisava ir pra a escola e para o cursinho de inglês, e tinha seus afazeres domésticos e sua familía esperando-o em casa. Por mais que morasse perto da rua de sua florzinha, Henrique não podia passar com ela o tempo todo. E assistia à aula de português imaginando as pessoas que estariam agora a passar por sua menina. Ansiava pelo final do dia letivo para que pudesse ter certeza de que ela continuava lá, intacta e bela no seu desabrochar. Mas acontece que a angústia de não poder vigiá-la e protegê-la durante todas as horas do dia começou a tomar conta do Henrique. E ele chorava sozinho no banheiro da escola pois sabia que naquele momento havia alguma outra pessoa olhando para a sua criança, talvez falando com ela... e sabia que não havia nada que ele pudesse fazer. Até que chegou um dia em que a angústia de não tê-la sempre a seu lado se apoderou do menino de tal forma que ele fugiu do colégio pouco antes de a aula acabar e correu sob aquele mesmo sol escaldante do dia em que a conhecera, de encontro à sua protegida. Ora, Henrique sabia que não podia possuí-la unicamente: se arrancasse a menina da terra para levá-la consigo aonde quer que fosse, ela definharia e para ele isso seria a morte. Sabia também que cedo ou tarde a florzinha iria deixá-lo, abandoná-lo neste mundo sujo e insensível... Luís Henrique soubera disso o tempo todo mas, é claro, recusava-se a acreditar. Porém naquele dia seu desepero frente à realidade atingiu um nível tão insuportável, tão doloroso que o menino perdeu a razão. Ao se perceber diante de sua amada depois de vários minutos de corrida enlouquecida, não teve forças para impedir a mão que viu dirigindo-se para a flor. "Ele vai arrancá-la! ele vai matá-la!!", dizia uma voz lá no fundo de sua cabeça. "Salva ela, salva ela!". Tarde demais. Henrique correu para sua casa, subiu correndo os sete andares de escada, o rosto molhado de suor e lágrimas, os dedos molhados de suor e sangue - descobriu que sua menina pura também tinha espinhos -, mal conseguiu empunhar a caneta de tanto que tremia, ao deixar um bilhete à sua família antes de se jogar da janela para o terreno baldio atrás de seu prédio, a florzinha encravada em sua mão esquerda. Ao voltar do trabalho seus pais tiveram dificuldades em entender o bilhete por causa do sangue, por causa das lágrimas e principalmente pela letra tremida, mas uma única frase se fazia totalmente legível, pela ênfaze no tamanho das letras e pela quantidade de vezes que foi repetida em toda a área da folha: "Ela é minha", dizia Henrique.
posted by julie @ 00:53 -
Quarta-feira, Janeiro 05, 2005
Aquilo que nunca será aprendido nas aulas de História
A TV Globo foi ao ar no Rio pela primeira vez em 26 de Abril de 1965, pouco mais de um ano após o golpe militar.
Roberto Marinho era o dono da emissora. Seu pai havia fundado o jornal O Globo em 1925, mas morreu logo depois. Seus filhos herdaram o jornal. Aos 26 anos, em 1931, Roberto Marinho tornou-se diretor do jornal. Na década de 40 ele deu início às transmissões da Rádio Globo. Marinho obteve sua primeira concessão de TV em 1957, do presidente Juscelino Kubitscheck, cujo governo ele apoiava, e a segunda do presidente João Goulart, cujo governo ele ajudou a derrubar...
Em 1962 Roberto Marinho assinou um contrato de colaboração entra a Globo e o grupo Time-Life.
O acordo parecia ir contra a lei brasileira, na medida em que dava a uma empresa estrangeira interesses em uma empresa nacional de comunicações. Mas o acordo deu vantagens decisivas a Roberto Marinho. Vantagens da ordem de seis milhões de dólares, enquanto que a melhor emissora do grupo Tupi tinha sido montada com trezentos mil dólares.
Os primeiros oito meses da TV Globo foram um fracasso evidente e então Walter Clark, à época com 29 anos, foi contratado para dirigir a emissora. Foi ele o arquiteto do incrível sucesso da Globo.
As enchentes desastrosas no Rio, em 1966, marcaram o momento decisivo da TV Globo, quando ela fez a cobertura ao vivo dos acontecimentos, enquanto os outros canais simplesmente ignoraram a tragédia.
Quando o segundo presidente militar, marechal Costa e Silva assumiu em 1967, o breve "Milagre Econômico Brasileiro" teve início.
O pensamento econômico do regime era surpreendentemente simples: "Que os ricos fiquem cada vez mais ricos, para que graças a eles os pobres fiquem cada vez menos pobres". [bom shi bom shi bom bom bom]
A ditadura deu prioridade ao desenvolvimento de um moderno sistema nacional de telecomunicações, criando um ministério e viabilizando a compra de televisores a crédito.
Os objetivos definidos foram, para variar, segurança nacional e integração...
"Todos poderão ver a Copa do Mundo!".
Chico Buarque comentou: "Era televisão e futebol. Construíram estádios e essa rede impressionante de telecomunicações por todo o Brasil, e ao mesmo tempo uma degradação crescente em termos de educação e saúde. Tudo isso foi descuidado."
No final dos anos sessenta o video-tape e as redes nacionais se uniram para destruir a produção local de programas, com toda a programação sendo realizado no Rio e em São Paulo.
A resistência à ditadura militar chegou às ruas em 1968 quando cerca de cem mil pessoas, em sua maioria estudantes, fizeram grandes manifestações no Rio de Janeiro.
No final de 68, pressionado pela crescente oposição, o regime militar assumiu poder ditatorial total, através do infame Ato Institucional 5. O congresso foi fechado e a tortura virou uma rotina.
A censura prévia aos meios de comunicação de massa foi instituída.
Parte da esquerda optou pela luta armada e seu sucesso mais espetacular foi o seqüestro de embaixador americano, forçando o governo a libertar vários presos políticos.
Após investigações parlamentares, que concluiu que o acordo Time-Life e Globo eram ilegais, a parceria foi dissolvida em 1969. Roberto Marinho ficou com total controle da TV Globo, enquanto suas concorrentes Tupi e Excelsior continuaram seu lento declínio.
A Globo centralizou todas as suas produções no Rio de janeiro após um incêndio que destruiu suas instalações em São Paulo.
Com o dinheiro do seguro um impulso decisivo foi dado para a construção de uma poderosa rede.
O primeiro telejornal a atingir praticamente todo o território brasileiro foi o Jornal Nacional, apresentado pela primeira vez em 1º de setembro de 1969. Assim nasceu a rede.
A Excelsior havia sido a única empresa de televisão a se opor ao golpe militar de 1964 e os militares não se esqueceram disso. Em 1970 o governo cancelou sua concessão...
No início dos anos setenta o novo governo, do general Emílio Médici lançou uma campanha maciça com slogan: "Brasil, ame-o ou deixe-o".
Qualquer reportagem negativista era proibida. Qualquer crítica persistente também. A lista de assuntos proibidos era imensa. Às vezes uma ordem para suspender a publicação de uma notícia chegava antes dela acontecer. Por exemplo: "O senhor está proibido de noticiar um seqüestro que acontecerá amanhã em Curitiba..."
A TV Globo foi muitas vezes além que era requisitado, transformando pessoas em não pessoas...
Em 1981 uma bomba explodiu em um carro no estacionamento de um centro de convenções, onde um grupo de rock tocava para cerca de vinte mil pessoas. Os militares disseram que a bomba havia sido colocada por extremistas de esquerda, mas a explosão foi comprovadamente no colo de um soldado, que morreu dentro do carro de um outro militar, que ficou gravemente ferido na explosão.
Na primeira edição do noticiário da Globo via-se claramente uma outra bomba, não detonada, dentro do carro. Quando a notícia foi ao ar novamente, a Segunda bomba havia desaparecido na edição. Para sempre.
Em 1972 o então presidente Médici inaugurou a televisão em cores em um grande festival, dizendo: "Sinto-me feliz todas as noites quando assisto o noticiário" "Por quê?" "Porque no noticiário da TV Globo o mundo está um caos, mas o Brasil está em paz... É como tomar um calmante após um dia de trabalho..."
A chegada das cores consolidou a superioridade da TV Globo. Na definição da própria emissora foi instituído o "Padrão Globo de Qualidade". Os espectadores salivavam e sentavam-se em frente a seus aparelhos ao ouvir o plim, plim anunciando o próximo programa Global.
Em 1977, Roberto Marinho demitiu Walter Clark, naquela época o executivo mais bem pago da América Latina.
Walter Clark foi substituído pelo controlador de programação conhecido por Boni. Enquanto isso, como a própria Globo mostrou, a repressão não havia diminuído.
Nem mesmo jornalistas foram poupados. Em 1975, Wladimir Herzog, chefe do jornalismo da TV Cultura de São Paulo, foi preso, tendo morrido horas depois em um quartel. Ele havia sido torturado. A polícia divulgou uma foto, tentando convencer a opinião pública de que ele havia se suicidado.
A notícia de sua morte não foi divulgada na televisão, mas apareceu nos jornais e milhares de pessoas se reuniram na praça da Sé para protestar contra o assassinato.
Em 1979 o general Figueiredo tornou-se o quinto e último presidente militar. Ele prometeu a abertura do país para a democracia.
Em 1980 a TV Tupi acabou falindo e sua concessão foi cancelada.
Durante as duas décadas da ditadura militar no Brasil, Roberto Marinho ficou riquíssimo e era talvez o civil mais poderoso do país. Com o fim do regime militar seu domínio cresceu ainda mais, além de qualquer regulamentação ou controle.
A TV Globo não perde nenhuma oportunidade para anunciar outros produtos das organizações Globo. 30% da receita da gravadora de Roberto Marinho vêm dos discos de Xuxa e a maior parte restante da venda de trilhas-sonoras de novelas, com muitos sucessos norte-americanos. Sem contar com a apresentação de merchandising nas novelas que chega a ser espalhafatosa.
Roberto Marinho é um dos três bilionários brasileiros com negócios em todas as áreas econômicas. É odiado no mundo, mas muito temido no Brasil, pelo fato de controlar milhões de brasileiros através do vício global.
Na iminência da volta de um presidente civil ao comando do país, Roberto Marinho apoiou o candidato Tancredo Neves, um velho e respeitado estadista, membro da oposição à ditadura militar.
Quando Tancredo derrotou o candidato dos militares, por esmagadora maioria no Colégio Eleitoral o Brasil exultou de alegria. Os generais haviam desaparecido, es expectativas eram muito grandes.
Horas depois da sua eleição, Tancredo almoçava com Roberto Marinho. Uma conversa particular apenas noticiada pelo O Globo, jornal do anfitrião.
Antônio Carlos Magalhães também participou do almoço. Ex-Governador da Bahia e aliado importantíssimo da vitória de Tancredo, ACM é um velho amigo de Roberto Marinho. Logo depois Tancredo anunciou que ACM seria seu ministro das Comunicações.
Tancredo morreu antes de assumir a Presidência da República e as imagens da Globo expressaram toda a angústia da nação [pfffff]. Ele foi substituído por José Sarney, um membro fundador do partido pró-governista militar. Um político com pouco carisma.
Sarney confirmou ACM como Ministro das Comunicações.
Um dos principais fornecedores de equipamentos de Telecomunicações para o governo era a NEC Brasil, de propriedade do empresário Mário Garnero, e sua financiadora Brasilinvest, juntamente com a matriz japonesa.
A Globo se prevaleceu das dificuldades da NEC do Brasil, que foram dificuldades criadas pelo ministro das Comunicações, ACM. Ele suspendeu os pagamentos e as encomendas à NEC e ela praticamente vivia do que fazia para o governo. Sem essas encomendas, sem esses pagamentos, a NEC valia muito pouco, e a Globo por isso mesmo pagou menos de um milhão de dólares pela NEC. Mas logo em seguida, ACM restabeleceu os pagamentos e as encomendas "que eram a razão de ser da NEC" ela já passou a valer, segundo uma avaliação dos próprios japoneses, 350 milhões de dólares.
Embora os custos reais para a Globo sejam obscurecidos por meio de complexas transferências de ações, é evidente que um lucro considerável foi obtido.
A TV Aratu, em Salvador, Bahia, era afiliada à TV Globo há 18 anos.
Roberto Marinho, em uma atitude unilateral inédita, encerrou o contrato da TV Aratu com a Rede Globo, em 1987, o que ocasionou uma queda de 80% na arrecadação daquela repetidora.
A nova emissora escolhida para repetir os sinais da Globo foi a TV Bahia, controlada por associados e parentes de ACM, àquela época Ministro das Comunicações, e com intenções a voltar a governar a Bahia
Durante o governo Sarney ficou difícil para a Globo mostrar sua independência. A ditadura militar havia acabado e a emissora custava a recuperar uma imagem de jornalismo independente.
A Globo optou por recuperar alguns dos artistas que baniu durante anos.
Chico Buarque comenta: "Hoje em dia existe um tipo de censura econômica muito importante. Por exemplo: um artista que queira cantar num dos vários programas de variedades - pois não há programas musicais - ele ou a sua gravadora tem que pagar à TV Globo para poder aparecer. Ou seja, os profissionais de música pagam a TV Globo para trabalhar para ela."
Os telejornais da Globo não podiam mais ignorar os protestos sociais. Algumas manifestações contra o governo foram apresentadas. Mas os jornais da Globo tinham uma maneira toda especial de apresentar os fatos. A Globo sempre abria o jornal com o locutor dizendo assim: "Índice mensal da inflação foi de 40%. Caderneta de Poupança vai render 40%". Quer dizer, ela tirava o peso negativo do índice da inflação, e transformava em uma coisa positiva.
A nova Constituição Brasileira tirava do presidente o poder de dar novas concessões de rádio e TV. Então, antes que ela entrasse em vigor, Sarney deu noventa concessões. Desde então nenhuma outra concessão foi dada.
Essas concessões foram dadas principalmente para grupos políticos, sem contar com as duas que o próprio Sarney ficou e que acabaram virando afiliadas da Globo.
Os tempos passaram e o poder da Globo aumentou cada vez mais.
No início dos anos 80 a Globo construíu irregularmente o Projac. O maior centro de produções da América Latina no Rio de Janeiro
Com novas eleições surgindo, a Globo precisava manter sua posição dominadora. Foi buscar no Nordeste uma pessoa que pudesse lhe trazer beneficios. Uma forte campanha na televisão mostrou Collor como o melhor candidato à presidente no momento, impedindo assim que Lula se elegesse. As vésperas da eleição os dois estavam empatados nas pesquisas de intenção voto. A Globo, para não correr o risco de perder, elaborou um debate entre os dois candidatos. No dia seguinte, no Jornal Nacional, a Globo mostrou um resumo do debate favorecendo Collor, mostrando de Lula apenas as respostas em que ele se saiu pior. Ao término deste resumo tendencioso a Globo mostrou o resutado de uma pesquisa encomendada onde obviamente Collor seria o melhor Presidente para o Brasil.
Como o governo de Collor foi um fracasso e a mídia não parava de falar nisso, a Globo foi obrigada a cortar seus vinculos com Collor e este por sua vez acabou sendo destituido.
URL:: http://antiglobo.tripod.com.br
posted by julie @ 15:59 -
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