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Que de nossas serenatas vieram
Flores que ofertamos
E que nunca morrerão
Em vasos e jarros se bronzeiam
Os anjos de onde vem
Sua vida bem-vinda
Os livros não são sinceros
Quem tem deus como império
No mundo não está sozinho
Ouvindo sininhos









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Domingo, Outubro 23, 2005

silêncio... ...!



nem o vento parecia fazer barulho.

não fosse pelo infalível "... tic ... tac, tic ... tac ...", pensaria estar surda.


aquele insuportável cheiro de nada não passava de jeito nenhum,
aquele maldito cheiro nenhum não passava por nada.



e eu na cadeira me revirava
esperando chegar logo o ontem.







posted by julie @ 21:55 -

Domingo, Outubro 16, 2005

posted by julie @ 02:25 -

Sexta-feira, Outubro 14, 2005

Hoje eu acordei
e tô aprendendo um ofício
sobre o qual ora nada digo
(é que estragaria o jogo)
A partir de agora somos
todos ratos de laboratório
do meu experimento audacioso
inofensivo e perigoso
Quem não topa correr um risco
quem tem medo de andar pelas beiras
não me importo, tá de fora,
não entra na brincadeira.

posted by julie @ 10:22 -

olha que curioso: alguma força oculta fica zerando os meus comentários de tempos em tempos...
puxa vida, será que seria melhor que vivesse sem eles?



vou deixar...

posted by julie @ 10:00 -

Quarta-feira, Outubro 12, 2005

dos poetas no meio
eu, aprendiz da beleza,
atento aos rostos bonitos
aos corpos humanos
sinto as palavras em seu poder
arrombarem-me os ouvidos como quem diz
"tô entrando, não tem jeito"
ainda com uma delicadeza e fluidez
de um rio que não encontra obstáculos no curso
tal é a trilha sonora
tal é a arte que orna
meu mosaico de percepções
simultâneo de sensações
de que a noite me fez pôr no meio
à meia luz
entrelaçada, entreamarrada
entrelaços
entre braços
e pernas
entre corpos
entre mentes
de poetas
ali um foco comum
se as palavras são vias para o que transcende
a nossa estrada foi mirando o transcender.

posted by julie @ 23:56 -

Domingo, Outubro 02, 2005

esta noite

esta noite eu não sou nada mais
que mais uma janela acesa
pra quem olha o céu, da rua
pra quem busca ver a lua;

esta noite eu fui só eu na Terra,
planeta que fiz do meu quarto,
e os e.t.'s extra extratosfera
riem, bebem, falam alto;

organizam suas orgias
se olham, se tocam, se trocam
se lambem, mastigam, engolem
se transam, se gozam, se cospem.

mas esta noite eu sou só
esta noite eu sou sozinha
me levanto e vou buscar
conforto na minha cozinha.







posted by julie @ 00:09 -

Sábado, Outubro 01, 2005

coisa que faz querer sair de perto,
sai de mim,
coisa que não sai.
se toma minha cara me toma toda,
muda quem eu sou
pra quem eu não é.

coisa que se passa e,
se passa,
se chora.
com a certeza que uma vez herdado
é pra sempre fardo
não se vai embora.

posted by julie @ 20:47 -

já é hora! o sol desponta no horizonte e os carros andam sempre e sempre - e sempre mais! e isso já faz um bom tempo. A fila anda (mesmo que saibamos que não há fila alguma) e esta espera maldita faz queimar as costas, que quem está atrás empurra - e empurra forte! (mesmo que saibamos que não há ninguem atrás).
Um brado pelo não-saber, um outro pela não-certeza.
A sair e conhecer. Abrir mão de toda destreza.

posted by julie @ 01:27 -

Sexta-feira, Julho 01, 2005

Do lugar que foi esquecido, comido pela névoa pálida destes dias gélidos, e das folhas marrons e tristes que o inverno levanta e faz rodopiar na estrada abandonada; da espera silenciosa que mergulha cada ser no seu profetizado penar pessoal e fadado ao eterno; do soldado que causa e sofre a morte, da mulher que espera a sorte de um dia voltar a ter mais do marido que as cartas guardadas no pote de bolachas, as cartas que cessaram de vir já faz alguns meses; da infância cinzenta e muda que cresceu sob a lágrima surda duma família amputada e aprendeu a não ter cor; dos amores que foram vencidos, dos anos que foram perdidos e não voltaram nunca mais... Do que foi enterrado. Do que foi banido. Do lugar que foi esquecido.

posted by julie @ 18:54 -

Sábado, Junho 11, 2005

SOCORRO!
ESTOU SENDO ATACADA!
AJUDEM!
MEU GÊMEO CAPITALISTA SEQÜESTROU O MEU CORPO.
ESTÁ INQUIETO, ANGUSTIADO
RODA DE UM LADO A OUTRO.
ESTOU SOB CUSTÓDIA DE UM POTENCIAL PSICOPATA
CERTAMENTE DESEQUILIBRADO.

EXIGE COMIDA.
1 TONELADA DE ALGO DOCE,
PARECE SOB O EFEITO DE UMA CRISE DE ABSTINÊNCIA.
EXIGE GLICOSE, DE ALGUMA FORMA
(DE PREFERÊNCIA ACOMPANHADO DE EMBALAGEM COLORIDA).
DEMANDA PRESENTES,
DIZ-SE CANSADO DE SUAS "VELHARIAS".

PARECE, O SUJEITO, CONCENTRADO EM FINGIR-SE SEGURO
MAS OBSERVO QUE TEM AS MÃOS INQUIETAS
E O OLHAR DESFOCADO.

TALVEZ SEJA SÓ IMPRESSÃO MINHA
(POR ESPERANÇA DE ME VER LIVRE DO CATIVEIRO)
MAS O MEU GÊMEO PARECE
QUE VAI TER UM COLAPSO NERVOSO
E CAIR DURO NO CHÃO
- A QUALQUER MOMENTO -

AJUDEM.






posted by julie @ 13:13 -

Quarta-feira, Março 30, 2005

"Eu sou ele assim como você é ele assim como você sou eu e nós somos todos juntos"

- O nome é Blissett.
Luther Blissett.

posted by julie @ 20:39 -

Quarta-feira, Março 23, 2005

E o sol brilha lá no parque do Museu da República, a um passo das calçadas estreitas e mega-populadas do Catete, com seus deprimentes agregados de trabalhadores-ambulantes-animais espalhados ao chão ou berrando as goelas pra fora na tentativa de sobrepôr-se às buzinas e motores bestiais e incessantes, enquanto se dá o diário deslocamento desconjuntado, desordenado e caótico de massa humana apática, antipática, sorumbática, piloto-automática...

A um passo do caos abafado onde não se é mais ninguém nem alguém, muito menos o si. Que deixando-se inserir em meio às cabeças, arrobas e arrobas, torna-se mudo. Ou melhor, muge-se. E o som ecoa em uníssono no aspecto sonoro desagradável de um zumbido constante com um quê de infernal.

Ali, onde os olhos tendem para cima, a fim de evitar a indesejada sensibilização frente à miséria aguda, e procuram desesperados os queridos e sorridentes 'outdoors', com suas pessoas tão sempre limpas e com todos os dentes dentro da boca. Que bom que existe a publicidade inescapavelmente em todo lugar para remeter-nos de volta ao mundo colorido da eterna felicidade! É uma pena que se tenha de baixar o olhar com freqüência para não tropeçar num dos buracos, lixo, cachorros ou mendigos espalhados pelo chão...

E a massa humana recicla-se interminavelmente, pois ao que liberta-se uma cabeça, de volta à sua relativa existência individual, novas se enfiam por aqueles caminhos espremidos engordando novamente a boiada que segue apressada e maciça.
E o sol que torra as cabeças por sob a fumaça da estufa urbana é o mesmo que encanta as árvores do parque do Museu da República, onde já me encontro quase-sã e salva a alguns metros dali.

posted by julie @ 19:31 -

Terça-feira, Março 01, 2005

(Enquanto isso, no Carnaval Revolução 2005...)



Veja só o que fazem esses punks e anarquistas sujos e subversivos, em seus encontros obscuros e badernosos!





oficina de retomada do corpo, yôga e tantra da beta roberta

posted by julie @ 20:10 -

Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005

Branco. Preto. Marrom. Verde. Amarelo. Laranja. Verde. Branco. Amarelo. Verde. Vermelho. Laranja. Roxo, Rosa. E verde. Amarelo. Verde. Branco. Verde.

Retaliação.
Retalhamento.
Misturação
Unalimento.

Apaga a luz, tampa o nariz.

E põe tudo pra dentro.

posted by julie @ 21:00 -

Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005



E o que dizer do Carnaval Revolução 2005?
aiai... Tá, com certeza o do ano passado deu de um milhão a zero no deste ano, mas mesmo assim... aiai...

Eu tenho uma facilidade de me apaixonar por pessoas. Não é apaixonar do tipo romântico, é apaixonar sei lá de que tipo, mas que é apaixonar é... Mas eu tenho uma mania de me sentir sempre tão inferior! mania chata! ainda mais no meio de pessoas tão incríveis e lindas, tão lidas e tão sabidas, tão sempre bem-resolvidas, eu sou mera espectadora, sou uma criança em fraldas, com os olhos enormes e brilhantes e o dedo na boca, talvez por não ser capaz de sugar tudo o que essas pessoas apaixonantes têm a oferecer... Eu me apaixono pelos sorrisos, os sorrisos gostosos e tão bobos, tão à toa, tão simples e gratuitos e de uma que jura ter beleza, a vida; ou o sorriso afoito, afobado, de quem acha que viu bastante com os olhos azuis e tenta fazer os outros verem também, de um que tem palavras mais que boca e o pensamento mais veloz que as palavras...

Diz se não é pra apaixonar se de "um ventinho que bateu" quase lhe denuncia a cara a facilidade que tem em gozar da vida? e esconde com as mãos o rosto num sorriso envergonhado ao palestrar a confidência...



Quando eu crescer neste mundo, eu vou ser vegan e vou ser yôginí.

posted by julie @ 00:38 -

Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005

O que diria eu do V Fórum Social Mundial?
Um outro mundo é possível, mas tá longe, muuuito longe...


A exemplo de quem me disse que o problema do Los Hermanos eram os fãs, eu acho que o problema do mundo devem ser as pessoas.
As coisas quando crescem vão pra o buraco! Qualquer coisa quando cresce demais vai pra o buraco e tenho dito!

posted by julie @ 13:28 -

Domingo, Janeiro 23, 2005

que vem o soluço e vai embora, quer chorar e não chora.
que quer derramar e não consegue - já passou...
mas não passou nada.



por que a vida de verdade é tão difícil?

posted by julie @ 00:23 -

Sábado, Janeiro 22, 2005

Poesia velha e boba de que eu muito gosto que fiz para o meu muito amado amigo Miguel, quando julie se metia a fazer poesia... Vai pelos encontros dos últimos dias, tão sempre breves, com menos palavras do que olhares, tão sempre intensos, com mais abraços do que palavras. Eu amo esse garoto um tanto especial.



Menino de amor e folia

Menino do brilho nos olhos
Será tristeza ou alegria?
Feito de amor e folia, ele canta.

Seu peito conhece os mistérios da vida
Como quem sabe, é pra ser vivida

Os olhos falam: ele sente
Os lábios calam, a gente entende

Que lá no seu canto o menino que é grande
No rosto, tamanho e no coração
Permanece criança, no jeito inocente que dança
Por este caminho sem direção

Este samba confuso e descompassado
Esta marchinha de muitos carnavais
De valores há tanto trocados
Cujo sentido não se sabe mais

Pudera o mundo aprender com o menino
Que leva sua música pela emoção
Que toca a seu jeito, com lá seus defeitos
Pra nunca esquecer que é humano, então

Ser feliz.

posted by julie @ 23:04 -

Quarta-feira, Janeiro 19, 2005

o que diz da nossa vida?
as relações que construímos? ou as coisas que edificamos?
talvez o conhecimento que acumulamos, as habilidades que desenvolvemos...?
será que aquilo que pesa o quanto valeu uma vida está mesmo nas coisas que ficam?
ou estaria nas coisas que não se repetem?


posted by julie @ 00:44 -

Domingo, Janeiro 16, 2005

se não vai
não desvia a minha estrela
não desloque a minha reta

você só me fez mudar
mas depois mudou de mim
você quer me biografar
mas não quer saber do fim

mas se vai
você pode ir na janela

pra se amorenar no sol
que não quer anoitecer
ao chegar no meu jardim
mostro as flores que falei

vai sem duvidar
mas se ainda faz sentido, vem
até se for bem no final
será mais lindo
como a canção que um dia fiz pra te brindar


- (Você Pode Ir Na Janela, música do Gram) - é que tá na cabeça...

posted by julie @ 01:17 -